Auto-Retratos 

Auto-retratos
Paulo José Miranda

 

Não é por acaso que o novo título de Paulo José Miranda não tem capa, quer dizer de forma bruta que lhe interessa ir o mais rapidamente possível ao assunto: o poema. Uns quantos versos do auto-retrato 1 fazem a ponte com Exercícios de Humano e introduzem o assunto: «e tanto deus/para tão pouco humano/ateando fogo a todos os gestos ternos» e logo depois «haverá pouco/quem encontre nos escombros de um livro/o seu rosto nas mãos de outro». Se o livro anterior acolhia os ecos do exterior, este recolhe sinais mais íntimos. E os escombros de um livro podem bem compor um rosto.


Torna-se experiência, sensível e pensada, a leitura de auto-retratos, onde reencontramos a mesma cadência, musical e encantatória dos Exercícios, mas agora dançando em torno de outros eixos: palavra e imagem, deus e humano, e, pois claro, vida e morte. No seu afã de recolher as migalhas, o poeta destila uma sabedoria que nos reenvia a cada instante para um «si» que se constitui horizonte, esculpido a golpes de navalha. Às vezes com imagens fortes, noutras a partir das mais simples observações: «a imagem será sempre e somente uma palavra por dizer».
Um labor poético que recusa o conforto, uma voz potente e original que sussurra como quem grita. Ou o inverso.
 

Mais informação

 

Edição #45
Lisboa, Abril 2016

Grafismo João Simões
Revisão Raul Henriques
Composto em caracteres Electra LT Display
sobre Coral Book Ivory 90 g/m2

ISBN 978-989-8688-34-7

11,5 x 15,5 cm

80 págs

 

8,10 € (desconto de 10% sobre o PVP 9 €)

 

 

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